Na aldeia do Peral, nasceu um sonho com raízes fundas na terra e na memória. O Parque Temático e Interpretativo da Pera Rocha ergue-se hoje como uma homenagem ao fruto que define esta região do Oeste, às gentes que o cultivaram ao longo de gerações, e, acima de tudo, à avó Olívia — a mulher que, sem o saber, plantou a semente de tudo isto.
Rui Baptista nasceu e cresceu na aldeia do Peral. Durante a infância e adolescência, até aos 18 anos, trabalhou lado a lado com pais e avós nos pomares de Pera Rocha, aprendendo o ritmo das estações, o peso das colheitas e o sabor inconfundível de um fruto cultivado com paciência e amor.
Partiu para o Canadá, para Toronto, onde construiu uma vida, uma carreira, uma família. Mas, as memórias da sua origem falavam sempre mais alto do que qualquer cidade grande poderia silenciar. Foram 38 anos longe. Trinta e oito anos em que o Peral ficou guardado algures entre o peito e a saudade. A ideia de voltar e dar à sua terra o que ela lhe deu a si, identidade, sempre o acompanhou e nos últimos catorze, quinze anos, foi ganhando forma na sua cabeça.
A propriedade dos seus avós, no Solar da Pera Rocha, palco de uma infância feliz, foi o lugar escolhido para dar forma a esse sonho antigo. “Não foi fácil. Mas quando temos força e acreditamos nos nossos sonhos, conseguimos”, diz.
O projeto que nasceu é um convite à descoberta e à memória, associado a uma cultura que tanto deu à região. A loja oferece os produtos da terra, essencialmente em torno do fruto, o café e a esplanada convidam à pausa e à conversa, e o baloiço, com vista sobre os pomares, numa das paisagens mais bonitas da aldeia – convida a ficar. Mas é no “museu” que o coração do projeto pulsa com mais força: ali conta-se a história da aldeia do Peral e da sua relação secular com a Pera Rocha do Oeste, desde as suas origens até às diferentes fases do fruto, num percurso que é tanto cultural como sensorial. Porque a Pera Rocha do Oeste não é qualquer pera — é a maior do país e uma das maiores do mundo, orgulho de uma região inteira.
No horizonte, Rui sonha com trilhos, com visitas de estudo que tragam os mais novos a conhecer esta herança, com um espaço onde os miúdos possam correr, aprender e criar as suas próprias memórias entre peras e paisagem.
E há um mural. Um mural que é, talvez, a parte mais íntima de todo o projeto. Está lá a avó Olívia — de bata garrida, o lenço na cabeça, a camisa de flanela que usava mesmo no verão para se proteger do calor dos campos. Uma mulher de gestos simples e presença enorme.
“Na altura da colheita, a minha avó colhia as peras mais doces e repartia comigo”, lembra Rui, com uma voz que carrega décadas dentro. “São gestos e recordações que ficam para a vida.” É por ela que este projeto existe. É para ela que este projeto fala.
O Parque Temático e Interpretativo da Pera Rocha não é apenas um espaço turístico. É uma carta de amor a uma aldeia, a uma fruta, a uma avó, e à ideia de que nunca é tarde para honrar de onde viemos. É a prova de que, mesmo depois de 38 anos e um oceano de distância, as raízes mais fundas são as que mais nos chamam de volta. As peras mais doces são sempre as partilhadas.
O Parque temático está aberto de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h. Não perca a oportunidade! Quem sabe até encontre por lá o Sr. Rui Baptista.
Para mais informações www.peranoperal.pt ou siga a página no instagram: @peranoperal